Bum bum paticumbum burungundum
Começou. Aliás, começou já jaz uns bons dias, eu é que estou meio atrasado. É o
carnaval. As coisas todas, agora, só lembram o carnaval. Mesmo coisas que não tem nada a
ver com carnaval, são quase que obrigadas a entrar no ritmo. Na televisão, então, você
vê de tudo quanto é coisa entrando no ritmo do carnaval. As Casas Bahia já devem ter
começado seu carnaval de ofertas. Se não elas, o Magazine Luíza, as Americanas, uma
dessas. Todo ano tem. Ofertas que são a alegria do povo. A alegria contagiante em 17
vezes sem juros. Bum bum paticumbum burungundum. Eu me lembro de uma vez que até o
Bombril teve um comercial de carnaval, com aquele carequinha de óculos apontando os dois
dedos para cima, simulando uma dança, e assoprando um apito. Era o Bombril no carnaval.
Não lembro direito como eles fizeram para juntar Bombril com carnaval, mas não deve ter
ficado de todo mal, porque qualquer coisa que aquele carequinha de óculos fizesse acabava
ficando engraçado. Bum bum paticumbum burungundum. E os bancos? O Bradesco, por exemplo,
lançou esse ano um negócio esquisito chamado Concurso Bradesco Quiz Carnaval Brasileiro.
Ou algo assim. Para ganhar, o cara tem que responder lá umas perguntas sobre o carnaval
brasileiro e esperar um sorteio. Bem, eu posso ser um babaca, mas um banco é uma coisa
que deve primar pela ordem, pela seriedade. E carnaval é justamente o oposto. É o caos,
a bagunça. Agora, me diz aí. O que é que tem a ver carnaval com uma instituição
bancária? Bum bum paticumbum burungundum. Quem responder, ganha uma temporada em
Salvador, com direito a levantar as mãozinhas para cima e ficar balançado de lá para
cá quando passar o trio elétrico da Ivete Sangalo. Bum bum paticumbum burungundum. A
coisa pega até os telejornais. Os telejornais mostrando o trabalhador brasileiro, sempre
feliz e alegre, costurando suas fantasias e preparando a Marquês de Sapucaí para o maior
espetáculo da Terra.
E, é claro, como poderiam deixar de faltar. Os comerciais de cerveja. Um mais animadinho
que o outro. Aquela mulherada suada sob o sol de 40 graus, vestindo três lantejoulas e
uma pulseirinha de pano do Senhor do Bonfim. Tem um amigo meu que chegou no bar e pediu
uma Brahma e começou a olhar dos lados. Passou um pouco, ele começou a ficar nervoso.
Pediu outra, e outra. Aí ele olhou para mim e perguntou:
- Vem cá, que horas que todas aquelas loiraças de biquini vão aparecer, hem?
Bum bum paticumbum burungundum.
Publicado em 08/02/2010
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